Relato de viagem – Transiberiana – Mongolia (Ulan Bator & Terelj National Park)

Após acordar, dar uma olhadinha na internet e tomar um banhinho, sai para desbravar UB! Ulan Bator é a capital mais fria do mundo, com temperaturas no inverno chegando a -30. Pra ser mais precisa, menos de 1 mês antes de eu chegar aqui, a temperatura estava em torno de -20, porém, graças aos bons deuses do tempo, durante a minha estadia estava em torno de uns 15 graus positivos.
A cidade não tem muitos pontos turísticos para serem visitados e os que tem dá para visitar sempre caminhando. Como já disse antes, o que mais gosto quando viajo é mesmo ver o povo na rua, o dia a dia, mais até do que os pontos turísticos, então para mim isso não é um problema e continuo achando a visita interessante. UB é bem parecida com uma cidade russa, com todos seus prédios em estilo soviético (e que na verdade foram até mesmo construidos pelos próprios russos) e letreiros em cirílico, porém com pessoas com fisionomia oriental e alguns templos budistas no meio do caminho…
Zaisan Memorial
Zaisan Memorial
Suburbio de UB

Durante meu passeio pela cidade, pude perceber que na Mongólia o pessoal já valoriza mais comida que na Rússia. Não sei se já disso isso antes, mas na Rússia não via nenhum lugar apetitoso, nenhum restaurante charmoso, convidativo, que desse vontade de ficar…Já na Mongólia, mesmo sendo muitissimo mais pobre, já há alguns lugares mais arrumadinhos. Eu não fui em nenhum restaurante porque não curto gastar muito dinheiro com comida, ainda mais desacompanhada, mas eu fui tomar uma cervejinha e comer um sanduiche num pub bem famoso de Ulan Bator chamado Grand Khan Pub. O ambiente é legal, mas a comida é bem ok (depois vi na internet algumas pessoas comentando que a qualidade da comida lá varia bastante dependendo do dia…Tem dia que está muito boa e dias que está apenas ok).
Na Mongólia a grande maioria dos carros a direção é do lado direito. Há alguns poucos carros com direção no lado esquerdo também, mas bem poucos pelo que vi. No entanto, o que é bem esquisito, porém seguro para os pedestres mais desatentos, é que a mão não é inglesa. As ruas e estradas são exatamente como nos países que a direção fica do lado esquerdo. É bem, digamos, emocionante ver esse povo ultrapassando na rodovia toda esburacada e pista simples pelo lado do passageiro.
Além disso, cheguei a conclusão que, apesar de os mongóis serem muito amáveis e gentis, quando o assunto é pedestre, a personalidade se transforma radicalmente. Simplesmente, na Mongólia pedestre não é gente. Mesmo se o sinal tiver verde para os pedestres eles vão passando por cima, empurrando e não estão nem ai.
O hostel que fiquei, como disse, é muito bom tanto pelas pessoas quanto pelo lugar mesmo. Ele é bem limpinho e tem duas salas que o pessoal interage bastante. Dessa vez conheci várias pessoas no hostel e todas muito bacanas. Conversei com pessoas da Itália, Suécia, Alemanha, Belarus e foi muito bacana.

Pracinha em frente ao hostel

No segundo dia na Mongólia fui fazer um passeio pelo Terelj National Park que fica bem próximo a UB. Por sorte, tinha mais um casal dos EUA fazendo o tour comigo. Pensa num casal bacana!! Eles eram muito legais, muito educados e muito interessantes… Fizeram muitas perguntas sobre o Brasil, porém sempre com muito respeito e demonstrando interesse. Eu também perguntei demais, principalmente quando me contaram que eles trabalham nada mais nada menos que na Antártica. Eles contaram várias coisas de lá, sobre como faz -85 no inverno, como não se tem como tomar banho (só banho de toalha molhada), como é abastecimento de comida, etc etc etc…. Foi muito bom ter eles comigo no passeio pois são duas pessoas excepcionais!
No parque, paramos em alguns lugares para ver as paisagens, fizemos uma caminhada até um templo de meditação budista no meio das montanhas e depois almoçamos com uma família nômade no ger deles. Essa primeira familia não interagiu tanto com a gente, mas a comida era bem gostosa. Fizeram um sopa de batata, cebola e carne e depois um pastel frito de carne bem parecido com o que comemos no Brasil. De tarde fomos andar à cavalo antes de seguir para a segunda familia nômade que ia nos hospedar a noite.

Chegando em Terelj!
Fora do ger
Monumento no parque

Quanto ao banheiro, vou parar de comentar porque está ficando repetivo…Só digo que minha fossa da Sibéria parecia o Palácio de Versailles perto do que eu encarei aqui rs Eu ainda cometi o erro de olhar só por curiosidade para dentro do buraco uma hora e a visão que eu tive foi literamente de uma pirâmide de coco kkkk Espero conseguir esquecer essa imagem após alguns anos de terapia….
Foi bacana demais a experiência de ficar com os nômades. Mesmo com toda a modernidade e com muita gente indo para as cidades, ainda existem muito nômades na Mongólia.. Todos os nativos que conversamos tem um parente, avô, pai/mãe nômade que ainda mora em gers. O estilo de vida deles é algo muito diferente, até mesmo pra quem cresceu no interior de Minas perto de fazenda e animais. Pra começar, eles são nômades, então vivem mudando de lugar pra lugar dependendo do clima. Depois que o ger é algo muito simples. É uma casinha redonda, com apenas um cômodo. No meio tem um fogão a lenha de 1 boca só que serve tanto como fogão como aquecedor. Fora isso tem as camas da familia encostadas ao longo da parede. Tem também um armário bem pequininho com um pia onde eles colocam água num reservatório que deve caber só uns 2 litros e usam para escovar dentes e lavar as mãos (bem raramente rs). Fora isso, normalmente tem só mais um armário para guardar as coisas de cozinha e outros para roupas. Hoje em dia muitos gers tem TV também, mas no que passei a noite a energia vinha de uma bateria, não de eletricidade mesmo como nas cidades.
Os nômades normalmente criam ovelhas e cabras como fonte de renda. Alguns tem algumas vaquinhas para leite pois é um dos itens da base da alimentação deles. Eles fazem queijo, iogurte, etc., e comem sempre com um biscoito de farinha, também feito em casa. Também usam os animais como fonte de alimentação e eles não tem frescura com o tipo de carne. Comem carne de cabra, ovelha, camelo, cavalo e não só a carne, mas intestino e até mesmo fazem ensopado com a cabeça!! Por sorte, minha familia não quis incluir isso no cardápio e foi bem menos radical…Comemos no jantar macarrão (também feito em casa, tipo um noodles mesmo) com carne(sempre com uma gordurinha acoplada…afinal, comem intestino e vão frescurar na gordurinha?? De jeito nenhum né…) e batata e no outro dia arroz com carne e batata. Nenhum ingrediente desanimador, ainda bem!! Rsrs

Dentro do ger

Do lado do ger eles montam um curralzinho para cuidar dos animais. Eles buscam o rebanho de moto, mas apesar de todo mundo na minha família ter roça, eu estou acostumada a ver à moda antiga, de cavalo mesmo…rsrs

Baby goat 🙂
Passeio de cavalo

A família não falava inglês, claro, mas se esforçava pelo tradutor do celular do “nômade-pai” e pediam ajuda aos guias para traduzir. Vale aqui comentar sobre os nossos 2 guias e nossa motorista: 3 pessoas muito fofas, como o resto do povo Mongol. Eles falavam inglês bem, então deu para interagir bastante.
Na Mongólia, outra coisa que é super tradicional são jogos usando um pedaço do ossos do tornozelo dos animais como pecinhas. Eles usam para criar todo tipo de brincadeira diferente para divertir a familia e as visitas. Foi bem divertido na verdade ficar horas e mais horas jogando vários jogos diferentes com eles…
Depois do fim da estadia no ger, fomos visitar a estátua GIGANTESCA de Genghis Khan. Essa estátua é bem recente e também confesso, que achei bem breguinha, uma parada gigantesca (maior que a estátua da Liberdade em NY) em aço inox reluzindo no meio do nada.

Estátua de Gengis Khan no meio do nada

Fim de passeio, voltei ao hostel desesperada por um banho e um bom descanso antes de seguir para a China na manhã seguinte..
Ao final da minha curta estadia de 4 dias na Mongólia, fiquei com gostinho de quero mais. Minha dica para quem fizer a Trans-Mongoliana é pesquisar mais a fundo o que fazer na Mongólia e como fazer, pois eu acabei indo na correria e acho que poderia ter aproveitado mais!
Da próxima vez, nos falamos da China! Até breve!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Create a website or blog at WordPress.com

Up ↑

%d bloggers like this: