QUANTO É NECESSÁRIO PARA FAZER UM SABÁTICO E QUANTO CUSTARÁ O NOSSO

Essa pergunta depende 100% da resposta que você daria para essa outra: o que eu quero fazer durante o meu sabático?

⇒ Se você quiser dar a volta ao mundo, passando por todos os continentes (incluindo lugares caros como Europa, Japão, etc), o custo do local e o logístico vai pesar bastante seu orçamento.
⇒ Se por outro lado você quer focar em países baratos e não tão distantes uns dos outros (ex. focar na América Latina ou Sudeste Asiático, viajando por terra), o seu orçamento pode ser significativamente menor. Mesma coisa se você estiver pensando em passar parte do tempo fazendo trabalho voluntário, trocando acomodação por trabalho, dando aula de inglês, etc.
Existem infinitas possibilidades, essas são apenas exemplos. Por isso, a questão orçamento é extremamente pessoal e depende totalmente do que você quer fazer.

Bem, antes de compartilhar o nosso plano, é preciso explicar o seguinte:

  • Nós NÃO temos vontade de viajar por tempo indeterminado, nos tornando “viajantes profissionais” ou nômades digitais;
  • Devido a isso, nós não precisamos preocupar em miguelar ao máximo os gastos para que o dinheiro dure por muuuuito tempo;
  • Nós planejamos viajar por 1 ou 2 anos e depois voltar para uma vida normal, estabelecer por uns anos em um local, ter uma rotina porém com qualidade de vida superior a que tínhamos antes;
  • Nós não saímos em um sabático por estarmos revoltados com “empresas privadas exploradoras” ou a situação política-econômica do 🇧🇷, nem por achar que merecemos um estilo de vida só na moleza. Nós saímos porque queríamos conhecer o mundo e isso demoraria muito se fossemos usar só as nossas férias anuais. Logo, não é que estávamos de saco cheio do mundo corporativo e que nunca voltaremos. É apenas um break na carreira. Claro, muitas coisas podem acontecer em 2 anos e acabarmos por resolver seguir caminhos muito diferentes de onde viemos, mas isso não faz parte do plano A… Se rolar, legal, se não rolar, legal também!
  • O fato de termos essa noção de fim, nos dá mais flexibilidade com nosso dinheiro pois ele não tem que durar pra sempre;
  • No nosso sabático não queríamos viver no perrengue de ficar sempre preocupado em pegar carona, arrumar Couchsurfing, deixar de ir em um lugar muito massa por conta de custo, não fazer os passeios mais interessantes por restrição de orçamento, etc. Por isso nós ralamos MUITO nos ANOS (não meses!) antes de sair do emprego, juntamos uma grana mais do que suficiente para bancar o estilo de viagem que queríamos e o mais importante: garantimos que sairíamos quando nosso currículo estivesse sólido o suficiente para não nos desesperamos por conta de emprego quando voltássemos. Isso pode parecer frescura, mas traz uma paz de espírito que não tem preço, pois nem passa pela nossa cabeça o que será de nós quando voltarmos… Temos a flexibilidade de mudar totalmente de rumo se der vontade e tudo convergir, mas sabemos que também temos um currículo bom que não vai nos deixar na mão mesmo em épocas de crise por muito tempo;
  • A gente acredita fielmente que um orçamento bem feito precisa incluir a grana pra voltar à realidade. Não adianta juntar 100 mil reais, torrar tudo na viagem e depois voltar pra casa com uma mão na frente e outra atrás e correr o risco de ficar meses sofrendo atras de emprego. Nesse quesito a gente joga na tática 5-3-2, bem na retranca kkkk Pelo menos uns 6 meses de gastos seria o ideal na nossa opinião (considerando a situação do Brasil agora… Se fosse uma época em que a economia estivesse de vento em popa, poderia ser até menos)… Outro problema que a falta dessa poupancinha pode gerar é uma paranóia nos últimos meses de sabático onde você já começa a sofrer por antecipação e não aproveita 100% por estar já pensando em emprego, sentindo culpado por estar torrando grana, etc.

VAMOS AO QUE INTERESSA…

Nós juntamos 100 mil reais por ano e por pessoa além de mais uma grana significativa para o caso de ficarmos desempregados por um tempo quando voltarmos.
“Ai meu Deus, 100 conto é dinheiro demais, nunca vou conseguir realizar o meu sabático”
Não se desespere!!! R$100 mil é um orçamento MUITO GORDO e você não precisa disso tudo. Nós já vimos mochileiros viajarem com 30, 50 mil por ano e felizes da vida. Tudo depende de quanto você está disposto a abrir mão de alguns luxos e de alguns passeios mais caros durante a viagem.
Sinceramente, pra começar a pensar em sabático, você precisa:
  1. No mínimo uns R$3mil com seguro saúde. Somente se você for MUITO inconsequente pra sair do Brasil sem um seguro saúde bom;
  2. Com mais R$3,5 mil você compra uma passagem pra qualquer lugar do mundo. Basta olhar promoção pros lugares mais caros e se for se aventurar pela América ou Europa, vai gastar bem menos que isso;
  3. Uma quantia de segurança, mesmo que vá para trabalhar e ser remunerado, que chutaria no mínimo outros R$3 mil.
Ou seja, pra começo de conversa, você precisa de uns R$10mil reais.
O quanto seu sabático vai custar a partir disso, depende de você, do seu nível de “exigências” e tamanho da lista de desejos hehe
ALGUNS CENÁRIOS…
CENÁRIO 1: Se o seu plano for trabalhar e já sair do Brasil com o emprego esquematizado, adicione uns R$1 mil de custo de visto e papelada e pronto, com menos de R$15 mil você já vai realizar um sonho.
CENÁRIO 2: Com R$30mil, sobram R$20mil/12 meses = R$2500,00. Você consegue se virar tranquilamente com essa grana em lugares como: Sudeste Asiatico (Tailândia, Laos, Vietnam, Camboja, Malásia, Indonesia, Filipinas), Sri Lanka, Índia, Bolívia, Peru e por que não, no próprio Brasil (quer lugar no mundo mais incrível? 😍)!!!! Pra querer ir em lugares mais caros que esses, provavelmente você vai ter que encaixar um trabalho ou escambo no seu roteiro pra dar aquele gás no orçamento. Também aceite que vai ter que deixar muitos dos seus luxos pra trás.  Trocar o restaurante bem cotado no Tripadvisor que custa R$30 por uma comida de rua que custa R$5 (que muitas vezes surpreende!) faz uma diferença enorme ao fim de 365 dias, pular o melhor hostel para economizar aqueles R$10/dia que no final de um ano somam R$3650, pechinchar bastante desconto, etc. A logística também vai ser apertada. Provavelmente teria que escolher uma região do mundo e focar nela.
CENÁRIO 3: Com R$50mil, nessa lógica você já passa a ter R$3,3 mil por mês. Já da pra se aventurar por bem mais lugares pois essa diferença serviria para bancar a logística. Ou então, dá pra incrementar o “luxo” focando em menos lugares.
CENÁRIO 4: Com R$70-80 mil, na nossa opinião da pra viajar bem tranquilo! Tem um perrengue aqui e outro ali, não da pra escorregar nos gastos com muita frequência e uma hospedagem de amigos ou Couchsurfing sempre é bem vinda, mas dá pra viajar muitos lugares sem jantar cenoura todo dia. Hehe Tirando os “luxos” do nosso mochilão (veja abaixo a lista), acho que conseguiríamos fechar nesse valor sem sofrer muito economizando.
CENÁRIO 5: Já com R$100mil, você já pode se sentir o milionário dos mochileiros, principalmente se tiver viajando acompanhado. Nós sentimos que por sermos 2 conseguimos um luxo melhor porque, por exemplo:
⁃às vezes o custo de 2 passagens de ônibus e um táxi é o mesmo;
⁃quase sempre com o preço de 2 camas em dormitório se consegue um quarto privativo;
⁃muitas vezes as porções em restaurantes são grandes e um prato serve 2;
⁃a ficha da lavanderia dá pra lavar roupa de 2 na mesma leva.
Assim, a gente em 3 meses de viagem só dormiu em dormitório 1 dia. Em todos os outros dias o custo seria mais ou menos se pegássemos dormitório ou quarto privativo.  Além disso, raramente precisamos jantar porcarias tipo biscoito e miojo por falta de grana e conseguimos dividir muita coisa em restaurante (ex uma bebida pra 2, uma sobremesa pra 2 e muitas vezes 1 prato e um acompanhamento pra 2).
Por que o nosso orçamento é tão grande?
Porque queremos conhecer e fazer algumas coisas caras que ornam a nossa bucket list desde muito tempo hehe Exemplos:
  • Queríamos conhecer bem o Japão… Ficamos 23 dias por lá e tivemos gastos altos como subir o Mt Fuji, pagar o Japan Rail pass para rodar bastante pelo país e conhecer Okinawa. A nossa média fazendo tudo isso no Japão, foi de em torno de R$330/dia.
  • Queríamos conhecer o Tibet. Para visitar o Tibet tem que ser com grupo e o mais barato que achamos era USD780/pessoa + uns USD400 pelo transporte até lá e depois até o Nepal. Sem contar o que não estava incluso no pacote. Isso é um gasto de pelo menos USD1200/8 dias = USD 150 ou + de 500 reais/dia.
  • Queríamos muito conhecer o Butão. O governo butanês determina uma taxa fixa para qualquer visitante, não importa qual agência use. A taxa é de nada mais nada menos que a bagatela de USD250/dia, sem contar o custo dos voos até lá que são no mínimo outros USD500 (no nosso caso foi USD789). Por 5 dias lá, isso nos custa USD360/dia por pessoa.
  • Queríamos muito fazer o passeio de balão sobrevoando os templos de Bagan no Myanmar. Adiciona aí mais USD340/pessoa.
  • Queríamos muito visitar os gorilas em Uganda. Lá se vão mas USD500 por pessoa.
  • Queríamos muito fazer uma viagem de motorhome pela Australia de 1-2 meses. Ainda estamos calculando quanto, mas com certeza não vai ser um passeio barato hehe
  • Queríamos conhecer os “Stans” (Casaquistão, Turcomenistão, Azerbaijão, Uzbequistao) que são países que não tem tanta oferta de voos, portanto são caros… A logística por terra entre eles é longa e complexa.
Agora, o que NÃO da pra fazer com R$100mil considerando que faremos todos os itens caros acima:
  • não dá pra viajar de avião sempre… na China passamos várias vezes 2 dias em trânsito de um lugar pro outro, muitas vezes na classe mais fuleira do trem;
  • não dá pra pegar balada ou beber muito… goró quebra muito o orçamento!
  • não dá pra fazer compras, seja pessoal, seja souvenirs;
  • não dá pra andar de táxi ou sair pra jantar em lugares caros tipo Japão, Hong Kong, etc;
  • não da pra ter frescura com dieta. Quando ficamos acima do budget a gente aperta o cinto na comida (pasmem: comida é nosso maior gasto, de longe) e vamos de loja de conveniência, Subway, McDonalds, etc. Não da pra ficar na sofrência do glúten, excesso de carbs, etc kkk Em muitos lugares frutas são escassas e/ou muito caras (se bem que hoje em dia as blogueiras falam que nem fruta se pode comer mais né kkkkk Imagina achar óleo de coco no interior da China?). Desapega!
  • Não da pra fazer TODOS os passeios… tem que escolher os mais interessantes. Exemplo: não da pra pagar pra fazer mergulho em toda praia que se ponha os pés.
COMO NÃO PERDER CONTROLE DO DINHEIRO?
No nosso caso criamos uma rotina sagrada de anotar TODOS os gastos. Não importa se é 1 real ou mil, tudo tudo tudo tudo é anotado em uma planilha. Às vezes estamos sem o computador, então vamos anotando no celular e uma vez a cada 2-3 dias passamos rapidinho pra planilha pra ter uma noção de onde estamos. Além disso, toda vez que a fatura do cartão chega, a gente reconcilia a fatura com a planilha para trazer todos os gastos pra taxa real e garantir que não esquecemos de lançar nada. Escuta o que estamos te falando: esse “excesso” de organização é imprescindível!!!!!!!! Teve uma época que a gente deu uma relaxada com as anotações e sabe qual foi o resultado? Mil reais que não sabemos reconciliar… Saiu da nossa conta corrente em saque mas não sabemos onde gastamos, se perdemos ou fomos roubados. Imagina isso acumulando por 1 ano? Você pode ter a infeliz surpresa de ter que terminar a viagem mais cedo.
Além disso, a planilha ajuda a saber quando temos que apertar o cinto e quando podemos dar uma esbanjadinha. Por exemplo, a nossa média diária é R$274 (R$100 mil/365). Se vemos que nossos gastos estão dando na média R$250, sabemos que temos uma gordurinha pra queimar indo num restaurante melhor, tomando uns drinks, etc. Se por outro lado estiver R$290, a gente aperta o cinto por uns dias até voltar pro plano original.
CONCLUINDO…
O mais importante a se levar em consideração lendo esse post é que essa é a visão de 2 pessoas com 7 anos de carreira, com salários acima da média e com um foco em aproveitar por um tempo determinado. O nosso estilo de vida no Brasil com certeza nos deixou mais exigentes em alguns pontos, enquanto que outras pessoas podem ser perfeitamente felizes comendo “mal” todo dia, ou gastando umas horinhas pra conseguir carona, ou se satisfazendo sem fazer os passeios mais caros, ou dormindo em dormitórios com 20 camas, ou dormindo no chão do aeroporto pra economizar uma diária, etc. Isso é tudo muito pessoal e talvez se nós tivéssemos feito essa viagem quando ainda não sabíamos o que é dinheiro tendo um emprego full time, estaríamos muito mais abertos a passar mais perrengues (já viajamos muito na época de faculdade com orçamentos que hoje chegam a ser engraçados – tipo dividir casa no carnaval com 40 pessoas e 1 banheiro – quem nunca? hehe). Afinal, cada um se vira com o que tem e todo mundo se vira nos 30! O importante é entender a sua realidade e até onde vão os seus limites sobre o que está ou não disposto a abrir mão e planejar a partir daí. Não faltam opções de trabalho fora, e QUALQUER um consegue se programar para fazer isso! Se  é seu sonho, não deixe a oportunidade passar… É sempre bom ser prudente no planejamento, pensar num worst case scenario pós sabático, mas garantimos que dá!
Boa sorte e quem precisar de mais detalhes, fique a vontade para entrar em contato!

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